Faz tempo que eu queria falar do meu último agosto. Agosto de Deus já foi faz mais de mês, mas hoje colho os frutos que plantei ainda naquele fatídico dia em que me demiti de um emprego público em tempos de crise econômica.
Tomei a coragem e larguei o osso. Osso esse que muita gente se mata pra roer. Larguei porque não dava mais, o coelho branco correu com seu relógio na mão e se eu não o seguisse, o perderia de vista para sempre. Larguei o osso pra abraçar Saturno e ele me abraçou de volta. Em agosto vivi meu desemprego, mudei de apartamento, vivi meu inferno astral do retorno de Saturno, consegui um novo emprego que me tirou da minha inocência de vida feliz para descobrir do que o mercado pode ser feito. E foi bem chato, pra não dizer difícil, ter que desconstruir todo um imaginário e tomar mais uma vez uma decisão drástica. Lá fui eu me demitir de novo! Afinal de contas, eu não tinha saído de um lugar estável que me impedia de viver meus objetivos para começar em outro instável, que também me impedia e ainda me pagava menos!
Mas Saturno ainda estava ao meu lado, retornamos juntos, e daí a porta que eu estava esperando abrir rangeu e eu comecei a dar aulas. E sim estou muito feliz, obrigada. Era isso mesmo. A intuição me dizia, uma vozinha soprava o que as bonecas já sabiam desd'os meus 7 anos: eu seria professora.
O primeiro dia, com a barriga na mão, comprovou: parecia profissão de outra vida, coisa que eu trazia dentro de mim por gerações... literalmente! Mãe, avó, avô, tio, bisas... E hoje é meu primeiro dia do Professor. Que loucura! Fui lendo várias declarações de amigos a seus mestres e ainda é estranho para mim me enxergar nesse lugar tão prestigioso, mas ao final do dia consegui assumir sem falsa modéstia: hoje é o meu dia, obrigada! Hahaha Para alguns pode parecer ter sido simples, mas não foi, também não foi de graça! A vida não aconteceu comigo sentada na cadeira esperando. As escolhas foram abrindo os caminhos, cada uma delas, desde o dia do vestibular até os de matrícula em disciplinas, do dia do concurso até minha demissão, do meu mestrado à minha demissão dupla. As pessoas que conheci, as amizades que fiz, minha família, os lugares que frequentei, tudo isso também ajudou na minha construção.
Mas a história ainda não acabou. Tenho um longo caminho de estudos pela frente, de pesquisas atrasadas. Descobri que dois anos parada enrijeceram muitas conexões cerebrais e às vezes me sinto uma criança ao lado de colegas pesquisadores. Como me falta filosofia! Não sou ninguém ainda na Academia, nem sei se chegarei a ser, torço que sim. Que Saturno me acompanhe e me dê forças.
Hoje, no meu dia, obrigada, quis dividir isso com vocês. Dividir minha alegria e realização profissional, dividir meus desafios e minha coragem, desejar que todos estejam em paz com suas escolhas, e àqueles que não estão, que tenham força para vencer as dificuldades e encontrar o caminho.
15.10.15
19.8.15
A morte nossa de cada dia
Acabo de assistir um filme badalado do momento. E fiquei com vontade de dar com o DVD na cara de muita gente. True Cost fala de toda podreira por trás da indústria da moda. E eu precisei vir aqui desabafar meu sofrimento. Preparem-se para a verborragia, porque é FODA essa história de trabalho escravo por trás das grandes lojas de roupa, e você saber que são toneladas de lixo sendo geradas por dia e incontáveis litros de coisas nojentas sendo jogadas na água. Ta, lá na Índia, como se essa água não corresse o mundo e chegasse ali no seu filtro cheia das micro coisas que ninguém sabe o nome mas que matam até barata. E assistindo o filme eu fui projetando toda aquela desgraça para todos os outros setores industriais comerciais etc do mundo todo! GENTE pensa no tamanho disso! Porque não acontece apenas com tecidos. A química é no couro, é no plástico, é no papel, na sua escova de dente, no shampoo que você usa, no tomate que você come, na carne da vaca que está congelada na sua geladeira. A química está no ar, na água, está dentro de você! Como se livrar disso? Como quebrar esse sistema se no final do mês você precisa pagar a luz que você usou - e essa luz está lá, sendo jorrada por litros d'água das usinas que inundaram ecossistemas inteiros, queimada nas termelétricas que esburacam o ozônio sem piedade, sem contar na radiação que você está bebendo da água que há muito já correu de Fukushima. Inclusive, você está consumindo eletricidade neste exato momento, ao usar seu eletrônico que também foi produzido por trabalhadores escravos e gastou mil recursos naturais que detonam a terra como os metais que precisam ser extraídos e tratados e trabalhados etc etc etc pra chegar até você em forma de celular computador rico. E a radiação que está saindo disso aí atravessando seu cérebro cortando os céus e fazendo sabe-se lá o que com o planeta?! GENTE COMO FAZ? E eu penso nisso todo dia. Viver é um sofrimento. E é tão maravilhoso ao mesmo tempo. Mas só é maravilhoso porque ainda existem as coisas que destruímos como a água limpa da chuva, os bichos inocentes, as nuvens, o céu azul, as flores cheirosas, as frutas suculentas, o verde fresco, o doce do mel que sai do bumbum da abelha. E TA TUDO CONTAMINADO ENVENENADO POR COISAS QUE A GENTE NEM SABE O NOME. E o povo morre e nada acontece. Porque as 3 pessoas que possuem essas fábricas de morte não estão nem aí. Mas eu aposto que a família Monsanto come comida orgânica, das mais caras. Qual é a saída PLMDD? Estimular o comércio local, agricultura familiar orgânica, beleza, trabalhadores da comunidade, roupa de algodão cru, tudo lindo. Mas se o resto do mundo não fizer a mesma coisa não adianta NADA! Porque a água contaminada lá do Camboja corre o mar e entra no rio São Francisco que vai dar no seu copo de suco, no seu copo de Coca Cola. E se você não escovar os dentes com a pasta de dente que leva mais X produtos que ninguém sabe do que se trata você perde todos os dentes aos 30. E se não lavar o seu cabelo com shampoo vai ter piolho e doenças etc. COMO FAZ? Usa produtos fabricados manualmente, ou ainda eco-friendly, ok, mas onde que acha isso?! Sem alimentar o sistema? Sem trabalhar pro capitalismo pra ganhar o dinheiro pra pagar essa saúde que custa mais caro? Esse produto ecológico e lindo só vende na lojinha lá na casa do chapéu. Como você vai chegar lá, de bicicleta? De carro! Poluindo o ar, utilizando mais metal cheio de ecas do mundo. E como esse produto vai ser embalado? Em embalagens de plástico cheias de ecas do mundo. LASCOU-SE NÃO TEM PRA ONDE CORRER. Teria que parar de ler parar de me vestir de comer de viver pra não ferir a vida. Tudo mata e a única maneira de viver razoavelmente sem sofrimento é não pensando. ÓTIMO! Vamos todos fingir que nada está acontecendo porque encarar os fatos é assinar seu atestado de óbito. Viver é lindo, mas como viver sem ferir a vida? Eu não quero ferir a vida. Eu não quero dar ração que utiliza grãos transgênicos para os meus gatos - porque uma criatura não achou que as tantas espécies de milho no mundo fossem o suficiente e tinha que fazer uma nova, brincar de Deus que é o que o ser-humano mais gosta e tenta na existência - mas para isso eu precisaria comprar restos de tripa - já contaminadas pela água e comida processada pelo bicho que morreu - e fabricar diariamente uma ração "saudável" para meus gatos. E ainda assim eu estaria oferecendo água de Fukushima para eles. Como saber que a roupa que estou usando não leva o algodão BT que detona a terra? Porque até a bicicleta foi fabricada em um ambiente agressivo com emissão de gases tóxicos. É DESESPERADOR SIMPLESMENTE E APENAS. Eu penso nessas coisas todos os dias quando ligo meu carro, quando abro a janela no meio do trânsito e um bafo queimado de caminhão me entope o pulmão, quando alguém está podando uma árvore no estacionamento ou quando um cachorrinho de rua está atravessando uma avenida cheirando por comida. Penso nessas coisas quando fecho um saco de lixo, quando dou descarga, quando cuspo a pasta na pia ou vejo a espuma do corpo escorrer pelo ralo. Penso nessas coisas quando vejo meu cocô na privada e o imagino correndo os canos e virando uma grande e gigantesca bosta nojenta no lago Paranoá sendo "tratada" e recolhida por limpa-fossas - que recentemente descobri que apenas jogam todo esse escremento na cabeceira do rio, lá onde estão plastificando a água mineral que você bebe achando que está fazendo um ótimo negócio para a sua pele. Viver é maravilhoso, mas como viver sem ferir a vida?
29.7.15
O primeiro dia do resto da minha vida
Sabe aquele amigo antigo que você não vê há muito tempo? É mais ou menos assim que eu me sinto com esse blog... mas amigo que é amigo está sempre lá pra você. Então resolvi chamá-lo para um café. Hoje eu fechei um ciclo para começar outro. E fiquei pensando como essa vida é louca, como ela vai acontecendo quase sem a gente perceber... precisei escrever!
Hoje eu me demiti. Foi a primeira demissão da minha vida. E a minha vida sempre pareceu tão certinha! Num ponto que às vezes até me irrita... e eu nem posso reclamar! Minha vida foi tudo tão encaixado, tipo o universo sempre me ouvindo, que eu fico até meio assim... me achando conectada com o divino... sei lá.
E hoje foi o dia de vencer um longo processo de dúvidas e medo. Porque depois que tudo foi tão certinho, você virar pro mundo e falar "então, ta tudo muito certinho mas ainda assim eu não estou feliz, tchau!" é uma coisa que quase ninguém entende. É f**a ter que contra argumentar todas as ótimas justificativas para você não deixar o ninho quentinho do emprego público e encarar a tough life. COMO ASSIM VOCÊ VAI SE DEMITIR? é, eu não to mais feliz... MAS PORQUÊ? porque esse não é o meu caminho... NÃO TEM COMO PEDIR UMA LICENÇA? mas eu não quero licença, pra quê licença se eu não vou voltar? PEDE UMA LICENÇA SÓ PRA GARANTIR! você não entendeu, não existe a menor possibilidade, hipótese ou vontade deu voltar daqui a dois anos para onde eu estava há três anos, é como andar pra trás.
Foi muito interessante, pra não dizer estranho, ver todo mundo desesperado por mim. Mas gente, a vida não é minha? Porque todo mundo está com tanto medo por mim? Obrigada pela preocupação, mas só eu sei dos meus caminhos. Foi tão impressionante que eu comecei a não querer contar para os outros a minha decisão, só para não ter que me explicar pela milésima vez.
Aí você joga todo esse desespero dos outros em cima das suas inseguranças. Acrescenta tpm, inferno astral e o retorno de saturno pra você ver no que é que dá. Imaginou? Esqueci de mencionar a mudança de apartamento. Pronto, acho que deu pra desenhar mais ou menos meu caos mental da semana passada.
Esse processo me fez pensar muito naqueles textos que vira e mexe surgem nos sites hipsters da vida sobre aquelas pessoas mutcho lokas que largam tudo pra morar numa casa de vidro no meio do nada e costurar as próprias roupas. Sempre odiei esses textos porque eles me faziam - e ainda fazem de certa forma - sentir culpada por não tomar coragem de dar aloka também e largar tudo pra ser uma artista hippie. Tenho que assumir meu lado consumista, que gosta de conforto. Isso é condenável? Às vezes me sinto numa pseudo ditadura do políticamente correto. Me sinto culpada por andar de carro, comprar roupas ou sapatos, usar qualquer coisa de couro, comer carne, gostar de livros impressos, usar shampoo e maquiagem... de viver, enfim! É uma equação meio utópica de se resolver. Para as coisas darem certo é preciso uma série de congruências, estar no lugar certo na hora certa, mas antes de tudo, é preciso se perdoar. Se perdoar é a coisa MAIS DIFÍCIL DESSA TERAPIA MEL DELS!
Pois então, fui brigando com as minhas ansiedades e inseguranças até resolver abraçar saturno. E quando eu abracei saturno, saturno me abraçou. Fechei a porta, mas do lado de fora da casa, ou seja, como disse minha mãe, hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. Estou dando um novo passo na minha carreira. Encerrei uma angústia que há 3 anos me consumia, para finalmente tentar me encontrar. Lembro dos textos hipsters e me sinto resolvendo minha equação utópica: jogando coisas para o alto e mantendo os pés no chão. Um pouquinho de cada.
Mas para não dizer que não falei das flores, nesses três anos tive oportunidade de aprender muitas coisas, descobrir universos inteiros, conhecer pessoas maravilhosas que me fazem encher os olhos d'água ao pensar nos passageiros que habitam nossa vida. Uma vez escrevi em meu outro blog sobre o coração-trem, em como as pessoas entram e saem de mim como se eu fosse um trem. Eu sempre soube como dói ser trem, mas às vezes esqueço. Por isso queria aproveitar para deixar registrado o meu amor e a minha gratidão à todas essas pessoas que entraram em mim e que agora saem, deixando aprendizado e saudade.
Hoje eu me demiti. Foi a primeira demissão da minha vida. Me demiti de um emprego público, em tempos de crise econômica. E nunca me senti mais realizada, corajosa, certa e empoderada da minha vida. Hoje é um daqueles dias em que sinto a vida acontecendo, como se olhasse para ela de fora, como o divino deve olhar, e me vejo naquele pontinho da linha do tempo, acontecendo. Aquela imagem de destino que é uma estradinha já aberta que a gente só tem que percorrer, eu vejo diferente, imagino uma estradinha aberta que a gente percorre com um facão de mato na mão, just in case. Como diria Skank: o caminho só existe quando você passa. Filosofias da nossa geração, por favor.
O que eu acho que às vezes falta naqueles textos, é que sempre tudo parece muito fácil pros outros né?! E pode ser que para os outros a minha história também pareça simples, mas passarinho que come pedra sabe o c* que tem. Eu só posso desejar que todos estejam em paz com suas escolhas. <3
Hoje eu me demiti. Foi a primeira demissão da minha vida. E a minha vida sempre pareceu tão certinha! Num ponto que às vezes até me irrita... e eu nem posso reclamar! Minha vida foi tudo tão encaixado, tipo o universo sempre me ouvindo, que eu fico até meio assim... me achando conectada com o divino... sei lá.
E hoje foi o dia de vencer um longo processo de dúvidas e medo. Porque depois que tudo foi tão certinho, você virar pro mundo e falar "então, ta tudo muito certinho mas ainda assim eu não estou feliz, tchau!" é uma coisa que quase ninguém entende. É f**a ter que contra argumentar todas as ótimas justificativas para você não deixar o ninho quentinho do emprego público e encarar a tough life. COMO ASSIM VOCÊ VAI SE DEMITIR? é, eu não to mais feliz... MAS PORQUÊ? porque esse não é o meu caminho... NÃO TEM COMO PEDIR UMA LICENÇA? mas eu não quero licença, pra quê licença se eu não vou voltar? PEDE UMA LICENÇA SÓ PRA GARANTIR! você não entendeu, não existe a menor possibilidade, hipótese ou vontade deu voltar daqui a dois anos para onde eu estava há três anos, é como andar pra trás.
Foi muito interessante, pra não dizer estranho, ver todo mundo desesperado por mim. Mas gente, a vida não é minha? Porque todo mundo está com tanto medo por mim? Obrigada pela preocupação, mas só eu sei dos meus caminhos. Foi tão impressionante que eu comecei a não querer contar para os outros a minha decisão, só para não ter que me explicar pela milésima vez.
Aí você joga todo esse desespero dos outros em cima das suas inseguranças. Acrescenta tpm, inferno astral e o retorno de saturno pra você ver no que é que dá. Imaginou? Esqueci de mencionar a mudança de apartamento. Pronto, acho que deu pra desenhar mais ou menos meu caos mental da semana passada.
Esse processo me fez pensar muito naqueles textos que vira e mexe surgem nos sites hipsters da vida sobre aquelas pessoas mutcho lokas que largam tudo pra morar numa casa de vidro no meio do nada e costurar as próprias roupas. Sempre odiei esses textos porque eles me faziam - e ainda fazem de certa forma - sentir culpada por não tomar coragem de dar aloka também e largar tudo pra ser uma artista hippie. Tenho que assumir meu lado consumista, que gosta de conforto. Isso é condenável? Às vezes me sinto numa pseudo ditadura do políticamente correto. Me sinto culpada por andar de carro, comprar roupas ou sapatos, usar qualquer coisa de couro, comer carne, gostar de livros impressos, usar shampoo e maquiagem... de viver, enfim! É uma equação meio utópica de se resolver. Para as coisas darem certo é preciso uma série de congruências, estar no lugar certo na hora certa, mas antes de tudo, é preciso se perdoar. Se perdoar é a coisa MAIS DIFÍCIL DESSA TERAPIA MEL DELS!
Pois então, fui brigando com as minhas ansiedades e inseguranças até resolver abraçar saturno. E quando eu abracei saturno, saturno me abraçou. Fechei a porta, mas do lado de fora da casa, ou seja, como disse minha mãe, hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. Estou dando um novo passo na minha carreira. Encerrei uma angústia que há 3 anos me consumia, para finalmente tentar me encontrar. Lembro dos textos hipsters e me sinto resolvendo minha equação utópica: jogando coisas para o alto e mantendo os pés no chão. Um pouquinho de cada.
Mas para não dizer que não falei das flores, nesses três anos tive oportunidade de aprender muitas coisas, descobrir universos inteiros, conhecer pessoas maravilhosas que me fazem encher os olhos d'água ao pensar nos passageiros que habitam nossa vida. Uma vez escrevi em meu outro blog sobre o coração-trem, em como as pessoas entram e saem de mim como se eu fosse um trem. Eu sempre soube como dói ser trem, mas às vezes esqueço. Por isso queria aproveitar para deixar registrado o meu amor e a minha gratidão à todas essas pessoas que entraram em mim e que agora saem, deixando aprendizado e saudade.
Hoje eu me demiti. Foi a primeira demissão da minha vida. Me demiti de um emprego público, em tempos de crise econômica. E nunca me senti mais realizada, corajosa, certa e empoderada da minha vida. Hoje é um daqueles dias em que sinto a vida acontecendo, como se olhasse para ela de fora, como o divino deve olhar, e me vejo naquele pontinho da linha do tempo, acontecendo. Aquela imagem de destino que é uma estradinha já aberta que a gente só tem que percorrer, eu vejo diferente, imagino uma estradinha aberta que a gente percorre com um facão de mato na mão, just in case. Como diria Skank: o caminho só existe quando você passa. Filosofias da nossa geração, por favor.
O que eu acho que às vezes falta naqueles textos, é que sempre tudo parece muito fácil pros outros né?! E pode ser que para os outros a minha história também pareça simples, mas passarinho que come pedra sabe o c* que tem. Eu só posso desejar que todos estejam em paz com suas escolhas. <3
11.3.15
Vão-se os anéis...
... Ficam os gatos e os posts. Há poucos meses eu escrevia sobre a ironia de se criar um blog para dor de cotovelo e engatar o coração em um relacionamento sério. Hoje vou escrever sobre a ironia do que escrevi. Fui tentar passar a perna no meu maktub, mas maktub, passaram a perna em mim.
Lá se foi mais um pro caderninho. Quem sabe um dia eu aprendo a não acreditar nas promessas de amor que me fazem... até lá vou batendo a cara na porta. O mais difícil, sem dúvida, é ouvir todas aquelas bossas, Chicos e Tons, ler todos aqueles Vinícius, Carlos, Janes, Clarices e Hildas e acreditar que é uma cilada, Bino!
Mas as falsas promessas de amor vão ficar para outro post. Neste eu quero falar sobre as imagens mentais que fazem parte do processo pós-operatório e exigem algum esforço. Imagens mentais são as que se cria para distrair o pensamento de algum assunto específico. Por exemplo, se você tem vontade de fazer xixi e se concentra em imagens com água como rios, torneiras ou gotas, a sua vontade com certeza vai aumentar, mas se ao invés disso você imaginar uma cadeira, uma bola, ou um sapato, com certeza a sua vontade vai diminuir. Satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta!
Quando estou no processo de costura do coração partido, tenho alguns métodos de cura. A primeira coisa fundamental é tentar esquecer que aquilo aconteceu na sua vida. Apagar todas as referências como fotos, telefones, chats etc. Depois, com o tempo você pode reaver seu contato quando se sentir mais à vontade. Assim que tirar tudo da sua frente, é preciso criar mecanismos de distração de fácil acesso para não se deixar levar por pensamentos contaminados. Quanto mais automático, melhor! Além do Candy Crush e da Paciência, um que já usei muito é o de substituição da imagem mental. Por exemplo, você tem em sua memória a imagem daquela pessoa e escolhe uma outra imagem completamente desvencilhada da primeira para substituí-la mecanicamente. Uma vez substituí a imagem do Dito pela figura do bonequinho do banheiro. Pronto, era só o rosto da criatura surgir na minha cabeça que eu buscava correndo o bonequinho do banheiro. Em segundos você estará, no mínimo, rindo da técnica.
Outro mecanismo interessante que dá bons resultados é o de criar uma imagem mental que te lembre algo terrível sobre a pessoa e que te ajude a desapegar da ideia perfeita que a sua memória fajuta e sabotadora criou do seu ex. Vou dar o exemplo de uma das minhas maiores desventuras amorosas, cujo desapego foi de dificílimo aprendizado e que até hoje exige - de vez em quando - certa energia. Vamos chamá-lo de Bill.
Bill era charmoso, sedutor. Olhos azuis penetrantes, conversa certeira, mãos de movimento firme como só os músicos sabem, artista. Quantas poesias de amor eu não escrevi para Bill... Pacote completo! Pois Bill era demais e o trauma foi proporcional. Hoje, depois de muita terapia assumo minha parte da culpa, mas enfim, o processo de desapego da ideia perfeita de Bill demorou um tanto, e criar uma imagem mental destruidora foi o que me ajudou na desconstrução dele, porque Bill, apesar de todas essas qualidades e muitas outras que o horário não permite revelar, tinha uma bata tie dye roxa de elefantes. Sim, você leu certo: uma bata - tie dye - roxa - de elefantes. Não eram Ganeshas, eram elefantes. E ainda que fossem Ganeshas, era uma bata tie dye roxa. No dia que eu descobri esta peculiar peça de vestuário, eu a retirei da gaveta, na frente de Bill, mostrei pra ele e perguntei: QUE PORRA É ESSA? Ele não usava fazia tempo - mesmo porque se usasse isso comigo, Bill não teria sido um post tão longo como este - mas era de estimação e por isso ele a guardava. ESTIMAÇÃO? EU VOU É RASGAR ESSA PORRA E QUEIMAR PRA GENTE FUMAR, PORQUE DEVE É DAR UM BARATO SINISTRO!
Toda vez que Bill me assombra, o Bill artista, charmoso e sedutor, de olhos azuis penetrantes, da conversa certeira e mãos firmes, eu lembro dessa bata e o fim da nossa história passa a ser indubitável e até mesmo indispensável! Toda vez que eu esboço uma saudade de Bill, eu penso nessa bata e passa.
Lá se foi mais um pro caderninho. Quem sabe um dia eu aprendo a não acreditar nas promessas de amor que me fazem... até lá vou batendo a cara na porta. O mais difícil, sem dúvida, é ouvir todas aquelas bossas, Chicos e Tons, ler todos aqueles Vinícius, Carlos, Janes, Clarices e Hildas e acreditar que é uma cilada, Bino!
Mas as falsas promessas de amor vão ficar para outro post. Neste eu quero falar sobre as imagens mentais que fazem parte do processo pós-operatório e exigem algum esforço. Imagens mentais são as que se cria para distrair o pensamento de algum assunto específico. Por exemplo, se você tem vontade de fazer xixi e se concentra em imagens com água como rios, torneiras ou gotas, a sua vontade com certeza vai aumentar, mas se ao invés disso você imaginar uma cadeira, uma bola, ou um sapato, com certeza a sua vontade vai diminuir. Satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta!
Quando estou no processo de costura do coração partido, tenho alguns métodos de cura. A primeira coisa fundamental é tentar esquecer que aquilo aconteceu na sua vida. Apagar todas as referências como fotos, telefones, chats etc. Depois, com o tempo você pode reaver seu contato quando se sentir mais à vontade. Assim que tirar tudo da sua frente, é preciso criar mecanismos de distração de fácil acesso para não se deixar levar por pensamentos contaminados. Quanto mais automático, melhor! Além do Candy Crush e da Paciência, um que já usei muito é o de substituição da imagem mental. Por exemplo, você tem em sua memória a imagem daquela pessoa e escolhe uma outra imagem completamente desvencilhada da primeira para substituí-la mecanicamente. Uma vez substituí a imagem do Dito pela figura do bonequinho do banheiro. Pronto, era só o rosto da criatura surgir na minha cabeça que eu buscava correndo o bonequinho do banheiro. Em segundos você estará, no mínimo, rindo da técnica.
Outro mecanismo interessante que dá bons resultados é o de criar uma imagem mental que te lembre algo terrível sobre a pessoa e que te ajude a desapegar da ideia perfeita que a sua memória fajuta e sabotadora criou do seu ex. Vou dar o exemplo de uma das minhas maiores desventuras amorosas, cujo desapego foi de dificílimo aprendizado e que até hoje exige - de vez em quando - certa energia. Vamos chamá-lo de Bill.
Bill era charmoso, sedutor. Olhos azuis penetrantes, conversa certeira, mãos de movimento firme como só os músicos sabem, artista. Quantas poesias de amor eu não escrevi para Bill... Pacote completo! Pois Bill era demais e o trauma foi proporcional. Hoje, depois de muita terapia assumo minha parte da culpa, mas enfim, o processo de desapego da ideia perfeita de Bill demorou um tanto, e criar uma imagem mental destruidora foi o que me ajudou na desconstrução dele, porque Bill, apesar de todas essas qualidades e muitas outras que o horário não permite revelar, tinha uma bata tie dye roxa de elefantes. Sim, você leu certo: uma bata - tie dye - roxa - de elefantes. Não eram Ganeshas, eram elefantes. E ainda que fossem Ganeshas, era uma bata tie dye roxa. No dia que eu descobri esta peculiar peça de vestuário, eu a retirei da gaveta, na frente de Bill, mostrei pra ele e perguntei: QUE PORRA É ESSA? Ele não usava fazia tempo - mesmo porque se usasse isso comigo, Bill não teria sido um post tão longo como este - mas era de estimação e por isso ele a guardava. ESTIMAÇÃO? EU VOU É RASGAR ESSA PORRA E QUEIMAR PRA GENTE FUMAR, PORQUE DEVE É DAR UM BARATO SINISTRO!
Toda vez que Bill me assombra, o Bill artista, charmoso e sedutor, de olhos azuis penetrantes, da conversa certeira e mãos firmes, eu lembro dessa bata e o fim da nossa história passa a ser indubitável e até mesmo indispensável! Toda vez que eu esboço uma saudade de Bill, eu penso nessa bata e passa.
22.1.15
Quando você se torna escrava de você mesma
Estou numa fase "não quero ser simpática" e isso tem sido um problema nos últimos dias, porque tenho que ficar fugindo das pessoas que conheço. O mundo não entende que você pode ser simpática 99% das vezes, mas que um dia vai precisar ser escrota, porque a vida simplesmente pede dias de grosseria para se equilibrar, e isso não quer dizer que você é escrota de alma e que odeia todo mundo de verdade, mas ninguém entende isso porque realmente não é da conta de ninguém mesmo. Dane-se o seu mau humor, eu não tenho nada a ver com isso. De fato. Então, como lidar? Como explicar para o mundo que você não está num bom dia, numa boa semana, num bom mês, sem ter que contextualizar toda a sua vida e suas crises de auto estima e processos e funcionamentos mentais e doenças e dificuldades e simplesmente tudo, para que entendam que hoje você não quer dar bom dia, nem quer ser abraçada, muito menos beijada, não quer a compaixão de ninguém, só quer ser compreendida e respeitada no seu silêncio e no seu mau humor?!
Não é pessoal, é pessoal meu.
Nessas horas eu invejo aquelas pessoas que nunca sentaram a bunda em um divã, nem tomaram aquele remedinho cerebral receitado, aquelas afetadas, mal educadas, sinceras, brutas, espontâneas, que funcionam no 50 - 50, que são amadas e odiadas por isso também, mas que não ligam porque são livres do julgamento dos outros. Essas pessoas, ditas bipolares, são respeitadas nos seus momentos. As outras, talvez até por medo, tomam uma distância que as permitem existir no seu movimento. Quando você tem um padrão de funcionamento, e sai dele, e se esse padrão cativa o amor dos outros, todos parecem querer te salvar de você mesmo, e querem te dar amor, e isso é lindo, mas e quando você não quer? Quando você quer que o amor venha apenas em forma simples de compreensão?
Ser sempre simpática me tornou uma escrava de mim mesma em todos os sentidos. As pessoas são carentes porque no fundo todos nós sabemos que somos sozinhos. A gente só finge que não. Temos a televisão, família, amigos, o cachorro, temos bala, açúcar branco, chocolate, temos maconha e Tinder, tudo que é preciso para acreditarmos que a nossa solidão tem salvação, mas lá no fundo, no que temos de natureza mais profunda, sabemos que a morte ronda e que o esquecimento é certeiro. Sabemos que somos sozinhos e isso é insuportável. Por isso, a qualquer sinal de amor do outro - meu, no caso - as pessoas já se põem a achar que eu estou apaixonada por elas, ou se imaginam minhas melhores amigas, íntimíssimas! E amizades verdadeiras permitem opiniões sobre qualquer poro da minha cara, quando não se prestam a fazer piadas das mais sem graça, ou pior: quando me paqueram. Mas está tudo bem, eu sou simpática né, não vou achar ruim, não vou achar impróprio, eu sou tão legal! Pode rir de mim, falar que estou descabelada, com uma espinha no meu queixo e com olheiras, e nossa você está com uma cara! Que que aconteceu, menina? Eu sou amiga, vou rir da sua piada machista, da sua opinião que não me interessa e sim, estou louca pra transar com você no banheiro do trabalho, estava só esperando você falar que eu sou bonita e que se fosse mais novo me namoraria.
MUNDO, porque tão difícil? Gentileza gera gentileza. Ai, Gentileza, maldita hora em que você teve essa sacada! Só faltou completar o raciocínio né?!
E aí o que acontece é que nesses tempos de mau humor tenho que ficar fugindo das pessoas que conheço, mas que não estou com paciência, ficar fingindo que não tem nada acontecendo, que só não acordei muito bem mesmo, obrigada, tenho que ficar rezando para aquela pessoa específica não botar a cara pra dentro da minha sala, e que nada de extraordinário exija muito de mim hoje, já que estou sem energia, sem que isso implique em perder o amor futuro delas.
Ah! Também não posso esquecer de não me culpar por isso, porque oi, vou te contar um segredo: eu sou humana!
Não é pessoal, é pessoal meu.
Nessas horas eu invejo aquelas pessoas que nunca sentaram a bunda em um divã, nem tomaram aquele remedinho cerebral receitado, aquelas afetadas, mal educadas, sinceras, brutas, espontâneas, que funcionam no 50 - 50, que são amadas e odiadas por isso também, mas que não ligam porque são livres do julgamento dos outros. Essas pessoas, ditas bipolares, são respeitadas nos seus momentos. As outras, talvez até por medo, tomam uma distância que as permitem existir no seu movimento. Quando você tem um padrão de funcionamento, e sai dele, e se esse padrão cativa o amor dos outros, todos parecem querer te salvar de você mesmo, e querem te dar amor, e isso é lindo, mas e quando você não quer? Quando você quer que o amor venha apenas em forma simples de compreensão?
Ser sempre simpática me tornou uma escrava de mim mesma em todos os sentidos. As pessoas são carentes porque no fundo todos nós sabemos que somos sozinhos. A gente só finge que não. Temos a televisão, família, amigos, o cachorro, temos bala, açúcar branco, chocolate, temos maconha e Tinder, tudo que é preciso para acreditarmos que a nossa solidão tem salvação, mas lá no fundo, no que temos de natureza mais profunda, sabemos que a morte ronda e que o esquecimento é certeiro. Sabemos que somos sozinhos e isso é insuportável. Por isso, a qualquer sinal de amor do outro - meu, no caso - as pessoas já se põem a achar que eu estou apaixonada por elas, ou se imaginam minhas melhores amigas, íntimíssimas! E amizades verdadeiras permitem opiniões sobre qualquer poro da minha cara, quando não se prestam a fazer piadas das mais sem graça, ou pior: quando me paqueram. Mas está tudo bem, eu sou simpática né, não vou achar ruim, não vou achar impróprio, eu sou tão legal! Pode rir de mim, falar que estou descabelada, com uma espinha no meu queixo e com olheiras, e nossa você está com uma cara! Que que aconteceu, menina? Eu sou amiga, vou rir da sua piada machista, da sua opinião que não me interessa e sim, estou louca pra transar com você no banheiro do trabalho, estava só esperando você falar que eu sou bonita e que se fosse mais novo me namoraria.
MUNDO, porque tão difícil? Gentileza gera gentileza. Ai, Gentileza, maldita hora em que você teve essa sacada! Só faltou completar o raciocínio né?!
E aí o que acontece é que nesses tempos de mau humor tenho que ficar fugindo das pessoas que conheço, mas que não estou com paciência, ficar fingindo que não tem nada acontecendo, que só não acordei muito bem mesmo, obrigada, tenho que ficar rezando para aquela pessoa específica não botar a cara pra dentro da minha sala, e que nada de extraordinário exija muito de mim hoje, já que estou sem energia, sem que isso implique em perder o amor futuro delas.
Ah! Também não posso esquecer de não me culpar por isso, porque oi, vou te contar um segredo: eu sou humana!
8.1.15
First Class Date, ou O Primeiro Encontro Comigo Mesma
A ironia é que quando você resolve criar um blog pra dar na cara do coração azarado, é que ele vinga em alguém. Mas mais do que engatar ou não em um relacionamento decente, o que eu mais preciso aprender agora é a superar a dor de cotovelo. Hora da confissão: tenho uma séria dificuldade em escrever bem humorada. Sim, essa é uma das mais profundas crises que tento tratar na terapia. Pronto, já posso parar de pagar minha psicóloga. Brincadeira, Mirty! Pois é, sempre tive dificuldade em deixar minhas letras rirem sozinhas das minhas besteiras. Confortável mesmo, eu fico é na tristeza do sentimento, no coração partido, na desgraça e na lágrima. A paz, que logicamente é muito bem vinda, me bloqueia criativamente e cada vez que isso acontece, dou de frente com obscuridades profundas. Então, declaro este blog como o meu mais exposto e íntimo exercício do ser. Este ser bobo que eu sei que também sou, ainda que quando registrado graficamente me perturbe muito. Então, adiante com a terapia!
Primeiro encontro é aquele sofrimento. A dúvida existencial vai da largura do traço do lápis no olho até a cor do batom, e pra que lado aquela mecha da franja vai ficar. Isso sem falar da roupa: vestido calça saia blusa macacão calcinha sutiã, nua mesmo porque não, sapato bolsa perfume anel pulseira, ficou demais, ai meu deus, e agora a minha vida acabou! Não to achando aquele casaqueto sucesso! A gente esquece até como faz pra enrolar um pano no pescoço: tipo gravata, passando por dentro ou só mais largado assim, como se eu tivesse apenas jogado ele no corpo, descompromissadamente, nossa nem vi! E não tentado mil arranjos diferentes, analisando o que cada um diria a meu respeito.
E aí parece que a gente esquece como se anda direito, e como se come, e bebe, e fala, o que que a gente fala num primeiro encontro? Que cara que a gente faz? Com que olho que a gente olha? Será que falei asneira demais? Falei demais com certeza, o coitado do menino não conseguiu nem comentar se a comida estava boa. Além de histérica ainda deu uma de burra, não viu nenhum daqueles filmes, não conhecia nenhuma daquelas bandas e ainda confundiu o nome daquele presidente. AFE. Aí você derruba comida na roupa, esbarra no copo e é vinho pra todo lado, tropeça, que no final da noite você ta fazendo promessa pra que a sua estabanação soe apenas como um charminho desajeitado, e não nervosismo descontrolado de iniciante, com os músculos do corpo desobedecendo cada ordem que você dá a eles na tentativa de parecer um mínimo elegante.
O melhor truque pra sair por cima da própria carne seca é saber rir da desgraça. Fazer piada com a própria cara é sempre a melhor saída, porquê aí você não fica só tipo a tosca nada a ver, mas assumidamente desengonçada e divertida. De qualquer modo, você vai saber se deu certo ou não na hora de despedir. Agarra na Nossa Senhora das Periquitas Flamejantes e vai!
~
Primeiro encontro é aquele sofrimento. A dúvida existencial vai da largura do traço do lápis no olho até a cor do batom, e pra que lado aquela mecha da franja vai ficar. Isso sem falar da roupa: vestido calça saia blusa macacão calcinha sutiã, nua mesmo porque não, sapato bolsa perfume anel pulseira, ficou demais, ai meu deus, e agora a minha vida acabou! Não to achando aquele casaqueto sucesso! A gente esquece até como faz pra enrolar um pano no pescoço: tipo gravata, passando por dentro ou só mais largado assim, como se eu tivesse apenas jogado ele no corpo, descompromissadamente, nossa nem vi! E não tentado mil arranjos diferentes, analisando o que cada um diria a meu respeito.
E aí parece que a gente esquece como se anda direito, e como se come, e bebe, e fala, o que que a gente fala num primeiro encontro? Que cara que a gente faz? Com que olho que a gente olha? Será que falei asneira demais? Falei demais com certeza, o coitado do menino não conseguiu nem comentar se a comida estava boa. Além de histérica ainda deu uma de burra, não viu nenhum daqueles filmes, não conhecia nenhuma daquelas bandas e ainda confundiu o nome daquele presidente. AFE. Aí você derruba comida na roupa, esbarra no copo e é vinho pra todo lado, tropeça, que no final da noite você ta fazendo promessa pra que a sua estabanação soe apenas como um charminho desajeitado, e não nervosismo descontrolado de iniciante, com os músculos do corpo desobedecendo cada ordem que você dá a eles na tentativa de parecer um mínimo elegante.
O melhor truque pra sair por cima da própria carne seca é saber rir da desgraça. Fazer piada com a própria cara é sempre a melhor saída, porquê aí você não fica só tipo a tosca nada a ver, mas assumidamente desengonçada e divertida. De qualquer modo, você vai saber se deu certo ou não na hora de despedir. Agarra na Nossa Senhora das Periquitas Flamejantes e vai!
Assinar:
Comentários (Atom)