29.7.15

O primeiro dia do resto da minha vida

Sabe aquele amigo antigo que você não vê há muito tempo? É mais ou menos assim que eu me sinto com esse blog... mas amigo que é amigo está sempre lá pra você. Então resolvi chamá-lo para um café. Hoje eu fechei um ciclo para começar outro. E fiquei pensando como essa vida é louca, como ela vai acontecendo quase sem a gente perceber... precisei escrever!

Hoje eu me demiti. Foi a primeira demissão da minha vida. E a minha vida sempre pareceu tão certinha! Num ponto que às vezes até me irrita... e eu nem posso reclamar! Minha vida foi tudo tão encaixado, tipo o universo sempre me ouvindo, que eu fico até meio assim... me achando conectada com o divino... sei lá.

E hoje foi o dia de vencer um longo processo de dúvidas e medo. Porque depois que tudo foi tão certinho, você virar pro mundo e falar "então, ta tudo muito certinho mas ainda assim eu não estou feliz, tchau!" é uma coisa que quase ninguém entende. É f**a ter que contra argumentar todas as ótimas justificativas para você não deixar o ninho quentinho do emprego público e encarar a tough life. COMO ASSIM VOCÊ VAI SE DEMITIR? é, eu não to mais feliz... MAS PORQUÊ? porque esse não é o meu caminho... NÃO TEM COMO PEDIR UMA LICENÇA? mas eu não quero licença, pra quê licença se eu não vou voltar? PEDE UMA LICENÇA SÓ PRA GARANTIR! você não entendeu, não existe a menor possibilidade, hipótese ou vontade deu voltar daqui a dois anos para onde eu estava há três anos, é como andar pra trás.

Foi muito interessante, pra não dizer estranho, ver todo mundo desesperado por mim. Mas gente, a vida não é minha? Porque todo mundo está com tanto medo por mim? Obrigada pela preocupação, mas só eu sei dos meus caminhos. Foi tão impressionante que eu comecei a não querer contar para os outros a minha decisão, só para não ter que me explicar pela milésima vez.

Aí você joga todo esse desespero dos outros em cima das suas inseguranças. Acrescenta tpm, inferno astral e o retorno de saturno pra você ver no que é que dá. Imaginou? Esqueci de mencionar a mudança de apartamento. Pronto, acho que deu pra desenhar mais ou menos meu caos mental da semana passada.

Esse processo me fez pensar muito naqueles textos que vira e mexe surgem nos sites hipsters da vida sobre aquelas pessoas mutcho lokas que largam tudo pra morar numa casa de vidro no meio do nada e costurar as próprias roupas. Sempre odiei esses textos porque eles me faziam - e ainda fazem de certa forma - sentir culpada por não tomar coragem de dar aloka também e largar tudo pra ser uma artista hippie. Tenho que assumir meu lado consumista, que gosta de conforto. Isso é condenável? Às vezes me sinto numa pseudo ditadura do políticamente correto. Me sinto culpada por andar de carro, comprar roupas ou sapatos, usar qualquer coisa de couro, comer carne, gostar de livros impressos, usar shampoo e maquiagem... de viver, enfim! É uma equação meio utópica de se resolver.  Para as coisas darem certo é preciso uma série de congruências, estar no lugar certo na hora certa, mas antes de tudo, é preciso se perdoar. Se perdoar é a coisa MAIS DIFÍCIL DESSA TERAPIA MEL DELS!

Pois então, fui brigando com as minhas ansiedades e inseguranças até resolver abraçar saturno. E quando eu abracei saturno, saturno me abraçou. Fechei a porta, mas do lado de fora da casa, ou seja, como disse minha mãe, hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. Estou dando um novo passo na minha carreira. Encerrei uma angústia que há 3 anos me consumia, para finalmente tentar me encontrar. Lembro dos textos hipsters e me sinto resolvendo minha equação utópica: jogando coisas para o alto e mantendo os pés no chão. Um pouquinho de cada.

Mas para não dizer que não falei das flores, nesses três anos tive oportunidade de aprender muitas coisas, descobrir universos inteiros, conhecer pessoas maravilhosas que me fazem encher os olhos d'água ao pensar nos passageiros que habitam nossa vida. Uma vez escrevi em meu outro blog sobre o coração-trem, em como as pessoas entram e saem de mim como se eu fosse um trem. Eu sempre soube como dói ser trem, mas às vezes esqueço. Por isso queria aproveitar para deixar registrado o meu amor e a minha gratidão à todas essas pessoas que entraram em mim e que agora saem, deixando aprendizado e saudade.

Hoje eu me demiti. Foi a primeira demissão da minha vida. Me demiti de um emprego público, em tempos de crise econômica. E nunca me senti mais realizada, corajosa, certa e empoderada da minha vida. Hoje é um daqueles dias em que sinto a vida acontecendo, como se olhasse para ela de fora, como o divino deve olhar, e me vejo naquele pontinho da linha do tempo, acontecendo. Aquela imagem de destino que é uma estradinha já aberta que a gente só tem que percorrer, eu vejo diferente, imagino uma estradinha aberta que a gente percorre com um facão de mato na mão, just in case. Como diria Skank: o caminho só existe quando você passa. Filosofias da nossa geração, por favor.

O que eu acho que às vezes falta naqueles textos, é que sempre tudo parece muito fácil pros outros né?! E pode ser que para os outros a minha história também pareça simples, mas passarinho que come pedra sabe o c* que tem. Eu só posso desejar que todos estejam em paz com suas escolhas. <3

Nenhum comentário:

Postar um comentário