11.3.15

Vão-se os anéis...

... Ficam os gatos e os posts. Há poucos meses eu escrevia sobre a ironia de se criar um blog para dor de cotovelo e engatar o coração em um relacionamento sério. Hoje vou escrever sobre a ironia do que escrevi. Fui tentar passar a perna no meu maktub, mas maktub, passaram a perna em mim.

Lá se foi mais um pro caderninho. Quem sabe um dia eu aprendo a não acreditar nas promessas de amor que me fazem... até lá vou batendo a cara na porta. O mais difícil, sem dúvida, é ouvir todas aquelas bossas, Chicos e Tons, ler todos aqueles Vinícius, Carlos, Janes, Clarices e Hildas e acreditar que é uma cilada, Bino!

Mas as falsas promessas de amor vão ficar para outro post. Neste eu quero falar sobre as imagens mentais que fazem parte do processo pós-operatório e exigem algum esforço. Imagens mentais são as que se cria para distrair o pensamento de algum assunto específico. Por exemplo, se você tem vontade de fazer xixi e se concentra em imagens com água como rios, torneiras ou gotas, a sua vontade com certeza vai aumentar, mas se ao invés disso você imaginar uma cadeira, uma bola, ou um sapato, com certeza a sua vontade vai diminuir. Satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta!

Quando estou no processo de costura do coração partido, tenho alguns métodos de cura. A primeira coisa fundamental é tentar esquecer que aquilo aconteceu na sua vida. Apagar todas as referências como fotos, telefones, chats etc. Depois, com o tempo você pode reaver seu contato quando se sentir mais à vontade. Assim que tirar tudo da sua frente, é preciso criar mecanismos de distração de fácil acesso para não se deixar levar por pensamentos contaminados. Quanto mais automático, melhor! Além do Candy Crush e da Paciência, um que já usei muito é o de substituição da imagem mental. Por exemplo, você tem em sua memória a imagem daquela pessoa e escolhe uma outra imagem completamente desvencilhada da primeira para substituí-la mecanicamente. Uma vez substituí a imagem do Dito pela figura do bonequinho do banheiro. Pronto, era só o rosto da criatura surgir na minha cabeça que eu buscava correndo o bonequinho do banheiro. Em segundos você estará, no mínimo, rindo da técnica.

Outro mecanismo interessante que dá bons resultados é o de criar uma imagem mental que te lembre algo terrível sobre a pessoa e que te ajude a desapegar da ideia perfeita que a sua memória fajuta e sabotadora criou do seu ex. Vou dar o exemplo de uma das minhas maiores desventuras amorosas, cujo desapego foi de dificílimo aprendizado e que até hoje exige - de vez em quando - certa energia. Vamos chamá-lo de Bill.

Bill era charmoso, sedutor. Olhos azuis penetrantes, conversa certeira, mãos de movimento firme como só os músicos sabem, artista. Quantas poesias de amor eu não escrevi para Bill... Pacote completo! Pois Bill era demais e o trauma foi proporcional. Hoje, depois de muita terapia assumo minha parte da culpa, mas enfim, o processo de desapego da ideia perfeita de Bill demorou um tanto, e criar uma imagem mental destruidora foi o que me ajudou na desconstrução dele, porque Bill, apesar de todas essas qualidades e muitas outras que o horário não permite revelar, tinha uma bata tie dye roxa de elefantes. Sim, você leu certo: uma bata - tie dye - roxa - de elefantes. Não eram Ganeshas, eram elefantes. E ainda que fossem Ganeshas, era uma bata tie dye roxa. No dia que eu descobri esta peculiar peça de vestuário, eu a retirei da gaveta, na frente de Bill, mostrei pra ele e perguntei: QUE PORRA É ESSA? Ele não usava fazia tempo - mesmo porque se usasse isso comigo, Bill não teria sido um post tão longo como este - mas era de estimação e por isso ele a guardava. ESTIMAÇÃO? EU VOU É RASGAR ESSA PORRA E QUEIMAR PRA GENTE FUMAR, PORQUE DEVE É DAR UM BARATO SINISTRO!

Toda vez que Bill me assombra, o Bill artista, charmoso e sedutor, de olhos azuis penetrantes, da conversa certeira e mãos firmes, eu lembro dessa bata e o fim da nossa história passa a ser indubitável e até mesmo indispensável! Toda vez que eu esboço uma saudade de Bill, eu penso nessa bata e passa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário