22.1.15

Quando você se torna escrava de você mesma

Estou numa fase "não quero ser simpática" e isso tem sido um problema nos últimos dias, porque tenho que ficar fugindo das pessoas que conheço. O mundo não entende que você pode ser simpática 99% das vezes, mas que um dia vai precisar ser escrota, porque a vida simplesmente pede dias de grosseria para se equilibrar, e isso não quer dizer que você é escrota de alma e que odeia todo mundo de verdade, mas ninguém entende isso porque realmente não é da conta de ninguém mesmo. Dane-se o seu mau humor, eu não tenho nada a ver com isso. De fato. Então, como lidar? Como explicar para o mundo que você não está num bom dia, numa boa semana, num bom mês, sem ter que contextualizar toda a sua vida e suas crises de auto estima e processos e funcionamentos mentais e doenças e dificuldades e simplesmente tudo, para que entendam que hoje você não quer dar bom dia, nem quer ser abraçada, muito menos beijada, não quer a compaixão de ninguém, só quer ser compreendida e respeitada no seu silêncio e no seu mau humor?!
Não é pessoal, é pessoal meu.

Nessas horas eu invejo aquelas pessoas que nunca sentaram a bunda em um divã, nem tomaram aquele remedinho cerebral receitado, aquelas afetadas, mal educadas, sinceras, brutas, espontâneas, que funcionam no 50 - 50, que são amadas e odiadas por isso também, mas que não ligam porque são livres do julgamento dos outros. Essas pessoas, ditas bipolares, são respeitadas nos seus momentos. As outras, talvez até por medo, tomam uma distância que as permitem existir no seu movimento. Quando você tem um padrão de funcionamento, e sai dele, e se esse padrão cativa o amor dos outros, todos parecem querer te salvar de você mesmo, e querem te dar amor, e isso é lindo, mas e quando você não quer? Quando você quer que o amor venha apenas em forma simples de compreensão?

Ser sempre simpática me tornou uma escrava de mim mesma em todos os sentidos. As pessoas são carentes porque no fundo todos nós sabemos que somos sozinhos. A gente só finge que não. Temos a televisão, família, amigos, o cachorro, temos bala, açúcar branco, chocolate, temos maconha e Tinder,  tudo que é preciso para acreditarmos que a nossa solidão tem salvação, mas lá no fundo, no que temos de natureza mais profunda, sabemos que a morte ronda e que o esquecimento é certeiro. Sabemos que somos sozinhos e isso é insuportável. Por isso, a qualquer sinal de amor do outro - meu, no caso - as pessoas já se põem a achar que eu estou apaixonada por elas, ou se imaginam minhas melhores amigas, íntimíssimas! E amizades verdadeiras permitem opiniões sobre qualquer poro da minha cara, quando não se prestam a fazer piadas das mais sem graça, ou pior: quando me paqueram. Mas está tudo bem, eu sou simpática né, não vou achar ruim, não vou achar impróprio, eu sou tão legal! Pode rir de mim, falar que estou descabelada, com uma espinha no meu queixo e com olheiras, e nossa você está com uma cara! Que que aconteceu, menina? Eu sou amiga, vou rir da sua piada machista, da sua opinião que não me interessa e sim, estou louca pra transar com você no banheiro do trabalho, estava só esperando você falar que eu sou bonita e que se fosse mais novo me namoraria.

MUNDO, porque tão difícil? Gentileza gera gentileza. Ai, Gentileza, maldita hora em que você teve essa sacada! Só faltou completar o raciocínio né?!

E aí o que acontece é que nesses tempos de mau humor tenho que ficar fugindo das pessoas que conheço, mas que não estou com paciência, ficar fingindo que não tem nada acontecendo, que só não acordei muito bem mesmo, obrigada, tenho que ficar rezando para aquela pessoa específica não botar a cara pra dentro da minha sala, e que nada de extraordinário exija muito de mim hoje, já que estou sem energia, sem que isso implique em perder o amor futuro delas.

Ah! Também não posso esquecer de não me culpar por isso, porque oi, vou te contar um segredo: eu sou humana!

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