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Primeiro encontro é aquele sofrimento. A dúvida existencial vai da largura do traço do lápis no olho até a cor do batom, e pra que lado aquela mecha da franja vai ficar. Isso sem falar da roupa: vestido calça saia blusa macacão calcinha sutiã, nua mesmo porque não, sapato bolsa perfume anel pulseira, ficou demais, ai meu deus, e agora a minha vida acabou! Não to achando aquele casaqueto sucesso! A gente esquece até como faz pra enrolar um pano no pescoço: tipo gravata, passando por dentro ou só mais largado assim, como se eu tivesse apenas jogado ele no corpo, descompromissadamente, nossa nem vi! E não tentado mil arranjos diferentes, analisando o que cada um diria a meu respeito.
E aí parece que a gente esquece como se anda direito, e como se come, e bebe, e fala, o que que a gente fala num primeiro encontro? Que cara que a gente faz? Com que olho que a gente olha? Será que falei asneira demais? Falei demais com certeza, o coitado do menino não conseguiu nem comentar se a comida estava boa. Além de histérica ainda deu uma de burra, não viu nenhum daqueles filmes, não conhecia nenhuma daquelas bandas e ainda confundiu o nome daquele presidente. AFE. Aí você derruba comida na roupa, esbarra no copo e é vinho pra todo lado, tropeça, que no final da noite você ta fazendo promessa pra que a sua estabanação soe apenas como um charminho desajeitado, e não nervosismo descontrolado de iniciante, com os músculos do corpo desobedecendo cada ordem que você dá a eles na tentativa de parecer um mínimo elegante.
O melhor truque pra sair por cima da própria carne seca é saber rir da desgraça. Fazer piada com a própria cara é sempre a melhor saída, porquê aí você não fica só tipo a tosca nada a ver, mas assumidamente desengonçada e divertida. De qualquer modo, você vai saber se deu certo ou não na hora de despedir. Agarra na Nossa Senhora das Periquitas Flamejantes e vai!
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