8.1.15

First Class Date, ou O Primeiro Encontro Comigo Mesma

A ironia é que quando você resolve criar um blog pra dar na cara do coração azarado, é que ele vinga em alguém. Mas mais do que engatar ou não em um relacionamento decente, o que eu mais preciso aprender agora é a superar a dor de cotovelo. Hora da confissão: tenho uma séria dificuldade em escrever bem humorada. Sim, essa é uma das mais profundas crises que tento tratar na terapia. Pronto, já posso parar de pagar minha psicóloga. Brincadeira, Mirty! Pois é, sempre tive dificuldade em deixar minhas letras rirem sozinhas das minhas besteiras. Confortável mesmo, eu fico é na tristeza do sentimento, no coração partido, na desgraça e na lágrima. A paz, que logicamente é muito bem vinda, me bloqueia criativamente e cada vez que isso acontece, dou de frente com obscuridades profundas. Então, declaro este blog como o meu mais exposto e íntimo exercício do ser. Este ser bobo que eu sei que também sou, ainda que quando registrado graficamente me perturbe muito. Então, adiante com a terapia!

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Primeiro encontro é aquele sofrimento. A dúvida existencial vai da largura do traço do lápis no olho até a cor do batom, e pra que lado aquela mecha da franja vai ficar. Isso sem falar da roupa: vestido calça saia blusa macacão calcinha sutiã, nua mesmo porque não, sapato bolsa perfume anel pulseira, ficou demais, ai meu deus, e agora a minha vida acabou! Não to achando aquele casaqueto sucesso! A gente esquece até como faz pra enrolar um pano no pescoço: tipo gravata, passando por dentro ou só mais largado assim, como se eu tivesse apenas jogado ele no corpo, descompromissadamente, nossa nem vi! E não tentado mil arranjos diferentes, analisando o que cada um diria a meu respeito.

E aí parece que a gente esquece como se anda direito, e como se come, e bebe, e fala, o que que a gente fala num primeiro encontro? Que cara que a gente faz? Com que olho que a gente olha? Será que falei asneira demais? Falei demais com certeza, o coitado do menino não conseguiu nem comentar se a comida estava boa. Além de histérica ainda deu uma de burra, não viu nenhum daqueles filmes, não conhecia nenhuma daquelas bandas e ainda confundiu o nome daquele presidente. AFE. Aí você derruba comida na roupa, esbarra no copo e é vinho pra todo lado, tropeça, que no final da noite você ta fazendo promessa pra que a sua estabanação soe apenas como um charminho desajeitado, e não nervosismo descontrolado de iniciante, com os músculos do corpo desobedecendo cada ordem que você dá a eles na tentativa de parecer um mínimo elegante.

O melhor truque pra sair por cima da própria carne seca é saber rir da desgraça. Fazer piada com a própria cara é sempre a melhor saída, porquê aí você não fica só tipo a tosca nada a ver, mas assumidamente desengonçada e divertida. De qualquer modo, você vai saber se deu certo ou não na hora de despedir. Agarra na Nossa Senhora das Periquitas Flamejantes e vai!

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